Ultrajada, enojada, indignada, irritada!

2009 novembro 11
por paulagcj

geisy

“Uniban, a instituição responsabiliza a aluna pelo episódio ocorrido no último dia 22, quando estudantes formaram uma multidão que a ameaçou de linchamento por causa da roupa que ela usava. ‘Foi constatada atitude provocativa da aluna, que buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar’, diz a nota da Uniban. A instituição considerou ainda que a atitude dos outros alunos foi uma ‘reação coletiva de defesa do ambiente escolar”’.

Expulsão de Geisy transforma Uniban em alvo na internet, Estadão Online

E hoje, no jornal O Globo Online:

O vice-reitor da Universidade Bandeirante (Uniban), Ellis Brown, disse nesta terça-feira que a universidade decidiu ter uma postura educativa em vez de disciplinar em relação ao caso da aluna Geisy Villa Nova Arruda (…) Brown afirmou que, além de não expulsar Geisy, a Uniban decidiu que também não vai punir os dez alunos que teriam incitado a manifestação contra a jovem.

Desde o início do episódio ocorrido no dia 22/10 onde os alunos da Uniban agrediram verbalmente e ameaçaram a estudante Geisy, a faculdade vem cometendo uma série espetacular de irresponsabilidades. A última, para mim, foi com a readmissão da aluna Geisy e a postura notadamente facista adotada pela instituição.

A escolha da universidade em corroborar a manifestação dos seus 10 alunos diletos é absurda, insana, ilegal e imoral! A instituição está agindo como se usar um vestido curto, e vermelho, fosse mais grave do que agredir moralmente e ameaçar um ser humano. Como se um estupro pudesse ser atribuído à sua vítima em razão de seu comportamento libertino. Prostitutas podem ser estupradas! E os culpados devem ser responsabilizados por isso.

A universidade não está lá para administrar vestimentas, ou escolher quais princípios morais vai privilegiar, não tem esse direito e não deveria ter essa pretensão. Está para apresentar o conhecimento à adultos. A roupa que cada um usa é problema exclusivamente dele.

Não sou avessa a regras, precisamos delas para conter os arroubos individuais. Mas as regras devem pré-existir aos arroubos, não podem ser criadas para justificá-los. Caso a roupa estivesse mesmo muito curta, o que eu nem acho, e houvesse uma regra anterior proibindo esse tipo de conduta, cabia a direção da universidade comunicar, delicadamente, a aluna sobre a forma como se posiciona.

A elucubração de uma instituição privada não pode, NUNCA, ser superior aos princípios de uma sociedade. Em nossa ordem jurídica a ofensa e ameaça são crimes, usar roupas curtas NÃO. É irrelevante o que pensa o diretor/reitor/aluno-querido/insano-homem-que-dirige-esse-manicômio. Usar um vestido curto é menos grave que ameaçar a incolumidade física de uma pessoa, bem como a ofensa à moral.

A universidade é um espaço aberto. A própria palavra nos remete à infinidade de conhecimentos que poderíamos/deveríamos discutir ali. A imposição de uma conduta desarrazoada limita o pensamento e o questionamento.

Fico pensando, sinceramente, sobre a indecência que passou pela cabeça dos 10 primeiros alunos a julgarem o tamanho do vestido vermelho de Geisy. A imoralidade está certamente dentro da cabeça dos que levantaram o indicador. Esqueceram-se esses que os outros quatro dedos estão apontados para si próprios, pois tamanho moralismo só pode estar sendo usado para esconder as próprias idiossincrasias; incluo aí a postura da instituição.

Por isso concorco com os “blogs, twitters e comentários [que] condenam atitude como erro de marketing e demonstração de machismo.” E é assim que me sinto, como mulher, estudante, advogada, cidadã: ultrajada, enojada, indignada, irritada!

Fakes OBM

2009 novembro 10
tags:
por thia6om

fakes-OBM-tm

Andei pensando no monte de gente que tem fakes por aí. Quem são eles? Os famosos, o emo q se passa por sarado, o casado que é um traveco, o fortão que dentro de quatro paredes, ou em uma sala de chat ou rede social,  solta fetiches inimagináveis ao estereótipo que sustentam, etc. Quem eles pensam que são?

Duas notícias:

Barrichello vence ação contra o Orkut e vai receber indenização
O piloto de F-1 Rubens Barrichello conseguiu uma vitória na Justiça em ação contra o Google por contas de perfil falsos e comunidades ofensivas no site de relacionamentos Orkut. (Folha Online, 09/11/2009)

HQ “Mônica Jovem” aborda “fakes” e redes sociais
A revista em quadrinhos no estilo mangá de Mauricio de Sousa “Turma da Mônica Jovem”, líder de vendas nas bancas, abordou o fenômeno dos “fakes” na internet, indivíduos que fingem ser outros, especialmente em redes sociais. (Folha Online, 06/11/2009)

Novo Orkut?

2009 novembro 10
tags:
por onbuddyman

Contribuição especial,  Lourival Lima

Orkut_lourival

Ao longo de cinco anos, o Orkut despertou amor e ódio. Perfis falsos, perfis clonados e comunidades ofensivas fizeram (e ainda fazem) parte dessa história. A facilidade que a informática e a internet oferecem pode se tornar uma faca de dois gumes. O Orkut já teve problemas com o Ministério Público no Brasil, por dificultar a identificação de pessoas que cometiam crimes, como pedófilos e traficantes. A liberdade sem controle da internet demonstrava ser boa e ruim ao mesmo tempo.

Internacionalmente, o Orkut tem outros problemas. Nunca conseguiu decolar nos EUA e Europa, principalmente pelo rápido avanço de brasileiros e comunidades em Português, causando desinteresse ente os internautas de outros países. Outras redes sociais como o MySpace e o Facebook encontraram seu lugar ao sol, tanto que o Facebook atualmente é a maior rede social do mundo.

Atualmente, o Facebook tem crescido muito no Brasil. Nos últimos três meses, ele teve um crescimento de espantoso no Brasil. Em contrapartida, o Orkut possui mais de 24 milhões de perfis ativos no Brasil, contra pouco mais de 2 milhões do Facebook.

Alertados por esse crescimento repentino do Facebook, a equipe do Google responsável pelo Orkut resolveu criar uma nova interface, modernizar e facilitar a navegação da sua rede social. Assim surgiu o “novo Orkut”, como está sendo divulgado pela internet. Para acessar o mesmo, é necessário receber um convite, ou do Google ou através de algum amigo. Este tipo de transição somente aumentou a curiosidade dos usuários e despertou um novo interesse nos brasileiros.

Recebi o convite para o novo Orkut e ansioso fui conhecer as novidades. O que vinha na minha mente era algo semelhante ao Facebook: intuitivo, bonito e fácil de utilizar. Algo “moderno”, visto que o antigo layout já me parecia um tanto antiquado comparado às outras redes sociais.

Sendo bem direto e respondendo à pergunta: o Orkut melhorou? SIM. Mas tornou-se uma cópia do Facebook em termos de funcionalidade. Uma cópia piorada. O visual “quadradão” ainda incomoda um pouco. As tão faladas opções de personalização se resumem a possibilidade de mudar a cor do perfil. Em termos de “beleza”, ele deixa muito a desejar em relação ao rival.

Um dos motivos para o crescimento do Facebook no Brasil é a capacidade de interatividade entre seu grupo de amigos, seja através do mural, onde você pode escrever o quê está fazendo ou pensando (como no Twitter), seja através de aplicações e jogos. Neste quesito, o Orkut perde feio. Os aplicativos e jogos possuem pouca ou nenhuma capacidade de interação. O mural é feio e mal diagramado e não é atualizado automaticamente como no Facebook. Além disso, o mesmo não permite que se postem vídeos diretamente, somente os links dos mesmos.

Algumas coisas melhoraram muito, como o gerenciamento de fotos:  é possível incluir e excluir álbuns inteiros com poucos cliques. Em termos de comunidades,  ainda é a ferramenta ideal. A organização de enquetes e fóruns de discussão dentro das comunidades sempre foi mais simples  do que as dos concorrentes: são fáceis de se configurar e permitem uma interação maior. Na nova versão, elas não mudaram.

O que não consigo compreender é como o Google, que é um dos gigantes da Internet (talvez até O gigante), com todo seu know-how e sua capacidade de inovar pode entregar um trabalho final que só posso descrever com uma palavra: feio. O Orkut melhorou a navegação? Sim. Mas ele ainda é um patinho feio. Um patinho feio mal-acabado. Será que é isso que nós, brasileiros, que somos a maior audiência na rede social, merecemos? O esmero do Facebook na sua interface gráfica torna a experiência de navegar por ele extremamente agradável. Era nisso que o Orkut precisava inovar. E a inovação foi muito pouca comparando-se a outras redes sociais.

Será que os usuários vão gostar do novo Orkut? Depende. Se o usuário não tiver uma conta no Facebook, provavelmente sim.

Prezado Jabor, olhe pelo lado bom!

2009 novembro 4
por Ricardo Campos

jabour

Minha primeira aventura pública na internet foi na agência de noticias do IG, Último Segundo, na seção de cultura. Eu escrevia crônicas a convite do colunista Michel Fernandes, do site Aplauso Brasil. Vale o friso de que eu já escrevia,  mas não crônicas e não para a internet.

Agora veio o OBM e, a convite do meu amigo Douglas Freitas, comecei a escrever sobre política. E quando o fato envolve nosso querido presidente Lula então? Acho irresistível. Mas vale aqui um outro friso: continuo escrevendo, mas não só sobre política, não só sobre Lula. Basta ser polêmico para entrar em pauta.

Meu caso está longe de ser isolado. Todos os dias milhares se aventuram na rede. Sem filtro, sem receio e sem medo de todo o ônus e todo o bônus que isso implica. Tem gente de todo o tipo, de Oscar Maroni a Arnaldo Jabor.

Maroni segue faceiro agradecendo e mandando abraços para todos os leitores do seu blog. Bem ao seu estilo, ele comentou aqui no OBM que:

todas as críticas são bem vindas pois o perfume da rosa vem do esterco que lhe jogam nas raizes. Bem opinião é como cú…

Jabor, por sua vez, não parece estar lá muito satisfeito com as novas ferramentas da internet. Em sua coluna no O Tempo Online dessa semana, ele desabafou:

Não estou no “twitter”, não sei o que é o “twitter”, jamais entrarei nesse terreno baldio e, incrivelmente, tenho 26 mil “seguidores” no “twitter”. Quem me pôs lá? Quem foi o canalha que usou meu nome? Jamais saberei. Vivemos no poço escuro da web.”

Enfim, viva a liberdade de expressão. Cada um se expressa como pode ou como julga interessante e coerente. E pode ainda escolher o meio de comunicação mais apropriado para isso. Ele está nos jornais, na rádio, na televisão. Eu estou na internet, em mais um blog do WordPress. Pois bem, vou aproveitar do meu espaço aqui no Onbuddiesman para escrever uma carta aberta ao nosso querido, aclamado, plagiado e revoltado Jabor:

Prezado Arnaldo,

Sinceramente, entendo sua dor. Ainda que tentem, dando às palavras dos outros o status de suas, não se igualarão a você, nem em falta, nem em excesso. Assim como dificilmente se igualariam a mim, ou ao João, ou a Maria. Ainda assim, penso que, na próxima semana, você deveria escrever um agradecimento ao criador do seu falso Twitter. Ainda que ele não consiga esbanjar um incomparável poder de síntese que imagino que você tenha, o pobre coitado só pode atribuir a você 140 caracteres de cada vez.

Para entender, entre no blog do Maroni e imagine se ele dedicasse a você um blog inteiro, com aquele tipo de discurso.  Seu último post somaria, quem sabe,  13.533 caracteres e mais de 108 comentários!

Você diz que na internet seu perfil (leia quem se passa por você na internet) é machista, gay, idiota, corno e fascista. Poderia ser pior… Volte ao blog do Maroni e se esforce para ler alguns parágrafos. Tenho certeza que você vai passar a ver as mensagens curtas do Twitter com outros (bons) olhos e quem sabe até ser mais tolerante com os cacófanos dos outros.

A maravilhosa reserva de caça de gatos e tigresas

2009 outubro 28
por Douglas Freitas

beautifulPeopleAssim caminha a humanidade nas mídias sociais:

Depois de buscar reconhecimento pela popularidade (Orkut e Facebook), pela rede de contatos profissionais (LinkedIn), por quem você segue -  e QUANTOS te seguem (Twitter) -  e por interesses emocionais/sexuais (Par Perfeito, Disponível, etc), a novidade da vez que está tirando o sono de muita gente é ser reconhecido pela beleza e, a partir disso, conseguir entrar no BeautifulPeople, a comunidade virtual que, por essência, só aceita pessoas bonitas em seu sistema.

Mas como funciona o site que desde segunda-feira está disponível também para brasileiros?

“A triagem acontece logo que o aspirante a membro do seleto grupo entra no site e faz seu cadastro, aberto para qualquer internauta. O serviço exige nome, e-mail, data de nascimento, sexo, país e, claro, foto. A partir daí, quem já faz parte da rede analisa e vota se a pessoa deve ou não ser aceita. Para isso, são usadas classificações como “Definitivamente sim”, “Hum sim, OK”, “Hum não, não realmente” e “NÃO, definitivamente NÃO”. Vence a maioria e o resultado sai em 48 horas após o cadastro.  Logo depois da inscrição, dá para acompanhar em tempo real o nível de aceitação do perfil. Os homens votam nas mulheres e vice-versa.”

Rede social que exclui pessoas feias estreia no Brasil, Portal R7

A justificativa para o criador do serviço, Robert Hinze (o da esquerda na foto que ilustra este post),  é no mínimo polêmica:

“Outros sites são reservas de hipopótamos e javalis africanos. BeautifulPeople é uma maravilhosa reserva de caça de gatos e tigresas.”

Como aponta o blogueiro Júlio Neto, a grande questão é:

“Quem determinou que uma magrinha é feia? Quem disse que a gordinha é um monstrinho? Quem disse que ser branca “demais” é feio? Quem foi que definiu que o cabelo loiro é mais bonito que o preto? Quem falou como deveriam ser a forma, tamanho, firmeza e proximidade dos seios? Quem foi que especificou o tamanho, largura e densidade das sobrancelhas? Quem ousou dizer que o cabelo liso é melhor que o crespo, que critério adotou para definir isso?”

O padrão da Beleza, 20/06/2009

Para se ter idéia de como os usuários são exigentes, “apenas um aspirante a cada cinco é admitido nos Estados Unidos; no Reino Unido, a taxa é de um a cada sete e na Dinamarca, um a cada 11.” E engana-se quem pensa que beleza é tudo no universo delirante do BeautifulPeople. Como revela o diretor do site nos EUA, Greg Hodge (o da direita na foto) ao jornal Folha de São Paulo:

É muito mais difícil para os homens serem aceitos. Além da beleza, as mulheres levam também em conta a profissão e o salário dos candidatos. Percebemos também que estava acontecendo uma espécie de boicote das mulheres. Para diminuir a concorrência, elas vetavam as muito bonitas.”

A revanche dos Lambda Lambda Lambda

2009 outubro 23
por Douglas Freitas
Vale o estereótipo de nerd clássico para este post.  O perfil é fácil de identificar em qualquer colégio, escola ou faculdade e quase não mudou ao longo dos anos: Solitário – a melhor das companhias é o livro ou o computador – adoram física e matemática, emergem em livros, teorias, cálculos e fórmulas complicadíssimas, e quase sempre óculos de grau, e um jeitão todo típico de vestir.
Mas atenção, longe de mim querer ofendê-los, mesmo porque de burro não tenho nada. O mundo é deles e se alguém ainda não se tocou disso, é bom tentar roubar um daqueles óculos – de preferência o de lentes mais grossas – e ajustar o senso crítico.
Se antes os nerds tinham de esperar anos para justificar todas as zombarias que recebiam no colégio, quando enfim se formavam e se tornavam líderes por sua inteligência indescutivelmente mais bem trabalhada, hoje a história é um pouco diferente: com a acenção das novas tecnologias,  qualquer hora é o momento exato para uma programação de computador virar um negócio de bilhões de dólares.
Foi assim com o Windows, com a Apple, com o Google, Facebook, Twitter e tudo mais que você lembre que envolva tecnologia, informática, web e, trazendo para o escopo do OBM, nossas queridas e vitais mídias sociais. E não adianta a Apple vir acusando a Microsoft de ser nerd. O mundo é.
Hoje em dia acabou a velha história de humilhação dos nerds nas escolas e colégios. Um exemplo: O bonzão da turma, bonitão e bom de bola, chega com uma das piadinhas antigas. Prazo de validade vencido. Um sorriso sarcástico no outro rosto, porque a realidade é simples: por probabilidade, a chance de se dar bem na vida no segundo seguinte é muito maior do nerd – que pode virar um bom programador -, do que no fodão, que dificilmente conseguirá ser um jogador de futebol, por exemplo.E no fim das contas, não precisa ser nenhum gênio para saber quem ficará com o milhão e – consequentemente – com as mulheres, poder, …
É a revanche dos nerds. Mais, é o ORGULHO em ser nerd! O vencedor do prêmio de melhor blog do Video Music Brasil (VMB) desse ano foi o blog Jovem Nerd.
E onde entram os outros? Tentando comer pela beirada! Não tem talento para inventar um Twitter, Blog, Orkut, Facebook? Utilize então de toda influência que você, fodão, tem e ganhe dinheiro com isso. Na reportagem da coluna Conecte que o Jornal da Globo exibiu ontem, por exemplo, a tuitera @twitess é descrita como “formadora de opinião”. Aos 22 anos, a garota, “diz ser uma caçadora de tendências. Ficou famosa postando novidades no Twitter. Hoje, cobra R$ 500 por mensagem comercial e dá consultoria para quem quer promover produtos pela internet.”
Está aí a diferença entre um nerd e uma pessoa “comum”. Nerds são calados, reservados e, por isso, quase nunca falam mais do que devem. Gostaria de saber se os seguidores da formadora de opinião – e personagem da reportagem – gostaram de saber que o que andam lendo por lá é material vendido. Cada um tem um preço e se vende como pode. Twitess vale R$ 500 por mensagem. Qual é mesmo o preço do Bill Gates?
“Alguns blogueiros recebem para escrever mensagens positivas sobre determinado produto, uma propaganda disfarçada. Nos Estados Unidos, a Comissão de Comércio proibiu a prática. A partir de 1º de dezembro, quem fizer isso será multado em US$ 11 mil, quase R$ 20 mil.”

nerd

Vale o estereótipo de nerd clássico para este post.  O perfil é fácil de identificar em qualquer colégio, escola ou faculdade e quase não mudou ao longo dos anos:  solitário – a melhor das companhias é o livro ou o computador – adora física e matemática, emerge de teorias, cálculos e fórmulas complicadíssimas, e quase sempre óculos de grau, e um jeitão todo típico de vestir.

Mas atenção, longe de mim querer ofendê-los, mesmo porque de burro não tenho nada. O mundo é deles e se alguém ainda não se tocou disso, é bom tentar roubar um daqueles óculos – de preferência os de lentes mais grossas – e ajustar o senso crítico.

Se antes os nerds tinham de esperar anos para justificar todas as zombarias que recebiam no colégio, quando enfim se formavam e se tornavam líderes por sua inteligência indescutivelmente mais bem trabalhada, hoje a história é um pouco diferente: com a ascensão das novas tecnologias,  qualquer hora é o momento exato para uma programação de computador virar um negócio de bilhões de dólares.

Foi assim com o Windows, Apple, Google e tudo mais que você lembre que envolva tecnologia, informática, web e, trazendo para o escopo do OBM, nossas queridas e já vitais mídias sociais. E não adianta a Apple acusar a Microsoft de ser nerd. O mundo é.

Hoje em dia acabou a velha história de humilhação dos nerds nas escolas e colégios. Um exemplo: o bonzão da turma, bonitão e bom de bola, chega com uma das piadinhas antigas. Prazo de validade vencido. Um sorriso sarcástico no outro rosto, porque a realidade é simples: por probabilidade, a chance de se dar bem na vida, e no minuto seguinte, é muito maior para o nerd – que pode virar um bom programador -, do que para o fodão, que dificilmente conseguirá ser um jogador de futebol profissional, por exemplo. E no fim das contas, não precisa ser nenhum gênio para saber quem ficará com o milhão e – consequentemente – com as mulheres, poder, …

É a revanche dos nerds. Mais, é o ORGULHO em ser nerd! O vencedor do prêmio de melhor blog do Video Music Brasil (VMB) desse ano foi o blog Jovem Nerd.

E onde entram os outros? Tentando comer pela beirada! Não tem talento para inventar um Twitter, Blog, Orkut, Facebook? Utilize então de toda influência que você fodão tem, e ganhe dinheiro com isso. Na reportagem da coluna Conecte que o Jornal da Globo exibiu ontem, por exemplo,  Tessália Serighelli, a @twittess, é descrita como “formadora de opinião”. Aos 22 anos, a garota

“diz ser uma caçadora de tendências. Ficou famosa postando novidades no Twitter. Hoje, cobra R$ 500 por mensagem comercial e dá consultoria para quem quer promover produtos pela internet.”

Conecte, Jornal da Globo, 22/10

Está aí a diferença entre um nerd e uma pessoa “comum”. Nerds são calados, reservados e, por isso, quase nunca falam mais do que devem. Gostaria de saber se os seguidores da formadora de opinião – e personagem da reportagem – gostaram de saber que o que andam lendo por lá é material vendido.

“Alguns blogueiros recebem para escrever mensagens positivas sobre determinado produto, uma propaganda disfarçada. Nos Estados Unidos, a Comissão de Comércio proibiu a prática. A partir de 1º de dezembro, quem fizer isso será multado em US$ 11 mil, quase R$ 20 mil.”

Conecte, Jornal da Globo, 22/10

Cada um tem um preço e se vende como pode. Twittess vale R$ 500 por mensagem. Qual é mesmo o preço do Bill Gates?

O universo de uma #MegaWave

2009 outubro 20
por paulagcj

Wave01

“O Google intitulou ‘uma ferramenta online de comunicação em tempo real e colaboração’”

Nomadismo Celular

Como a maioria de nós, eu ainda não entendi muito bem essa “onda”, então resolvi pegar carona numa Tsunami e entrei de cabeça na #MegaWave experimental  criada pelo Denys Sene e pelo Emerson Rocco Bernardino no Google Wave.

Foi uma brincadeira em que cada um adicionava todos os seus contatos e estes, por sua vez, os seus. O intuito era apenas testar os limites do Google Wave. Começou despretensiosamente, com o simples objetivo de gerar uma Wave gigante. Do teste, retirei algumas impressões, que compartilho com vocês, leitores do OBM.

O GoogleWave é certamente uma ferramenta voltada para o trabalho colaborativo. Não uma rede social, embora funcione também em mecanismo de chat. É bem diferente do Twitter ou do Facebook, voltados para o relacionamento entre os usuários. Embora também admita algumas brincadeiras.

Difere também do e-mail. Na Wave, cada um se manifesta e incorpora suas idéias com a intenção precípua de desenvolver um projeto. E este pode inclusive deixar de depender dos seus criadores. O programa avisa o momento em que cada um entrou na Wave e informa as mensagens que ainda não foram lidas, inclusive as retroativas.

É possível conversar com várias pessoas ao mesmo tempo e ter acesso às conversas de outras pessoas na mesma Wave, tornando dispensável informar a cada um, pessoalmente, sobre as decisões tomadas. O desenvolvimento total do trabalho pode ser acompanhado em tempo real.

No caso de textos que precisam de correções, modificações, ou alterações, isso pode ser feito sem as longas discussões por e-mail. Caso os usuários discordem, podem abrir um novo blit para acertar as mudanças antes de serem feitas.

O difícil é errar, ou se arrepender, pois tudo que escreve na wavelet (primeira mensagem da Wave) e nos blips (próximas mensagens que a sucedem) são vistos instantaneamente pelos colaboradores, no exato momento em que se está escrevendo, letra por letra.

Tive o sentimento de que se a onda realmente estourar, os direitos autorais acabarão se transformando em direitos corporativos em alguns casos.

Meu computador travou várias vezes durante o uso. Falta aprender a usar uma série de recursos. Além disso, a maioria dos bots e códigos não estão 100% funcionais. Ainda está em fase alpha, mas as perspectivas são fantásticas!

O mais interessante é que se trata de um canal aberto, onde cada empresa ou grupo que pretenda trabalhar em conjunto pode criar seu próprio universo colaborativo.

Cada Wave é viva! Uma verdadeira suruba de idéias!

E não é que dizem por aí que o universo funciona em ondas? Assistam… É longo, mas é legal!

Berlim, Olinda e macrocosmo

2009 outubro 19
tags:
por thia6om

Como sempre, uma semana repleta de notícias banais entre aquelas tidas como “sérias”. O resumo da ópera é que todo mundo parece agir como se cumprisse um script, NUNCA por vontade própria. Seja por uma necessidade de inserção social, seja por vaidade, seja por total dependência de atenção.

Que tal se ao mudássemos a abreviação OBM, por um sonoro “AFF”? Assim mesmo, em negrito, caixa alta, itálico e grifado… Merece toda a nossa ênfase!

Por fim, veja os carros alegóricos de bonecos gigantes em comemoração ao 20º aniversario da queda do muro de Berlim. Inspirado neles, com vocês, o nosso bonecão do OBM:

fantoche-OBM-tm

Vaidade viral

2009 outubro 15
tags: ,
por paulagcj

PromovaOBM

O Orkut criou uma nova ferramenta chamada Orkut Promova. Veja o vídeo explicativo, aqui.

“A função divulga as promoções de amigos e de produtos. Os usuários conseguem promover, recomendar ou deletar um anúncio no sistema. Quanto mais anúncios forem compartilhados, maior o alcance.”

Blog Pense www

A idéia não é nova, aliás, todos os sites de relacionamento partem do princípio da promoção pessoal. Quanto maior a possibilidade de se expandir, maior o interesse do usuário. Veja, por exemplo, o sucesso do “What are you doing?” do Twitter, que por essência, é pura e simplesmente baseado na divulgação da própria imagem (pensamentos, sentimentos, gostos) dos seus usuários.

Sem nos esquecermos da vedete da divulgação pessoal, o YouTube,  que possibilita a qualquer um a divulgação de qualquer vídeo caseiro na rede, leia-se mundo. É tão grande seu sucesso que o site foi vendido ao Google por mais de UM BILHÃO de dólares. E tudo isso sem dar lucro algum, ainda…Só mesmo com idéias, frames… e acessos! (Veja aqui)

A democratização publicitária deve estar causando um certo frisson nas agências de comunicação estilo Mad Man que tradicionalmente estudam o perfil do cliente, criam uma campanha a partir do que uma pessoa extremamente inteligente pensa sobre o produto e pagam caro para veicular a idéia nos meios de comunicação em massa. Têm todo esse trabalho e basta alguém produzir um video caseiro no YouTube pra promover um carro gratuitamente !  YouTube para promover  e ganhar um carro gratuitamente.

A lógica desse novo paradigma é simples e rápida, uma vez que a resposta dos conectados é imediata e com alto potencial viral. Com a eliminação dos intermediários, o que cai no gosto popular se espalha como um vírus nas inúmeras ferramentas existentes. Daí o interesse das grandes empresas nos anúncios pessoais e em atrair mais e mais pessoas para suas redes sociais, mesmo sem saber direito como se utilizar disso lucrativamente.

Talvez estejam se aproveitando da “solidão em massa” em que vivemos, como bem coloca Ronaldo Bressani na revista Vida Simples:

“Por que necessitamos mais da aprovação, do amor, da admiração e(até) da inveja dos outros?”

Revista Vida Simples, A Era tô me achando, out.2009

E eu pergunto: Por que temos essa necessidade incontrolável de mostrar aos outros como nossa vida é lindamente perfeita, como vamos a lugares legais e como temos amigos geniais?

Honestamente, não sei. Só sei que no início, era só um e-mail. Depois veio o Orkut e quando menos esperava estava no Facebook, garimpando amigos. Quando me acostumei com o Facebook, fiz um Twitter e aprendi a seguir quem eu nem conheço, com total desapego de causa. Hoje, além disso tudo, escrevo em três blogs, tenho sabe-se Deus quantas contas de e-mail e acabo de receber um convite para o Google Wave.

Será carência? Falta de contato humano? E se for, estaremos procurando no lugar certo?

Fafadonna realiza seu desejo!

2009 outubro 14
por thia6om